Divulgação. © Nobuyuki Fukumoto / Madhouse

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Anime de 2007 que adapta o mangá de Nobuyuki Fukumoto, Gyakkou Burai Kaiji: Ultimate Survivor conta a história de um apostador que se vê tendo de participar dos mais variados jogos de azar, muitos deles valendo a sua vida. O anime teve duas temporadas de 26 episódios produzido pelo estúdio Madhouse.

A história de um apostador

Divulgação. © Nobuyuki Fukumoto / Madhouse

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Desempregado e viciado em jogos de azar, Itou Kaiji certo dia recebe uma visita inesperada: Endou Yuuji, que veio lhe cobrar a dívida de um antigo colega de trabalho, algo que o deixará como segurador após desaparecer sem deixar vestígios. Obviamente, o protagonista não tem a menor possibilidade de pagar a dívida, o que certamente não agradaria as pessoas que enviaram Endou para lhe cobrar.

Vendo o desespero do rapaz, Endou lhe faz uma proposta. Muito em breve, sairia do porto o navio Espoar, no qual um jogo aconteceria, sendo possível conseguir uma boa quantia em dinheiro. Se Kaiji aceitasse participar desse jogo, sua dívida seria quitada, e se for esperto poderia até conseguir uma renda extra durante sua estada no navio. Entretanto, Endou avisa, a derrota implica em uma dívida ainda maior, que teria de ser paga com trabalhos forçados por anos; sem escolhas, Kaiji aceita a proposta. Assim começa o mais emocionante jogo de jan-ken-po que você irá assistir. Jogado com cartas, a propósito.

Gyakkyou Burai Kaiji é o que costumo descrever como um “anime de jogo”, no sentido de ser uma história na qual a ação se resolve em torno do jogar de um ou mais jogos, sejam estes de estratégia ou de sorte. Obras como Yu-Gi-Oh!, No Game No Life, ou Saki talvez sejam os exemplos mais conhecidos desse tipo de anime.

O diferencial aqui, porém, é que os jogos são apenas de azar, o que coloca o protagonista em desvantagem, como muitas vezes são também jogos desenvolvidos especificamente para causar a derrota. Não que eles sejam impossíveis de serem vencidos, claro, mas a margem de vitória é tão ínfima que o protagonista raramente a poderia atingir com apenas sorte.

Divulgação. © Nobuyuki Fukumoto / Madhouse

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Por conta disso, a derrota é um elemento comum nesse anime, o que certamente adiciona um bom nível de tensão à história. Claro, quando o risco máximo estiver em jogo, o protagonista ainda dará pelo menos um jeito de sair vivo. Ele é, afinal, o “ultimate survivor”. Mas o caminho até a vitória pode ser bastante tortuoso, embora vale adicionar que, justamente por causa disso, quando a vitória finalmente chega ela realmente soa como merecida.

Kaiji nunca vence por pura sorte ou milagre, e em fato a única hora em que precisa de um é justamente o momento em que perde, para então poder se reerguer e tentar de novo, desta vez com um plano ao invés de pura esperança e determinação.

Infelizmente, a história tem de fato um problema grave, que está basicamente em sua segunda temporada. Enquanto a primeira possui três arcos mais ou menos bem definidos, a segunda conta com apenas dois. Para piorar, em ambos os arcos o processo de primeira derrota, entendimento do jogo, nova tentativa e eventual vitória se repete de forma tão precisa que quase soa como uma cópia do primeiro, apenas com um novo jogo.

Em adição, esse mesmo segundo arco parece incrivelmente arrastado, o que pode ser bastante frustrante quando se está assistindo, e isso dito para uma série que normalmente não tem nenhum problema em prender a atenção do telespectador, que passará a maior parte do tempo na ponta da cadeira, querendo saber qual o próximo acontecimento.

Ainda assim, vale dizer que, para todos os problemas que temos, o final ao menos é conclusivo o suficiente para o não desesperadamente precisar de mais uma temporada, o que é bom e mesmo um pouco surpreendente, dado que o mangá original ainda está em publicação.

Subversivo, mas nem tanto

Divulgação. © Nobuyuki Fukumoto / Madhouse

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É fácil ver porque esse anime conquistou uma certa fama de ser basicamente a antítese de tudo o que você encontra em animes mais populares, sobretudo os conhecidos shounens de combate. É uma trama na qual traições são rotineiras, e os companheiros que não traem o protagonista muitas vezes encontram um prematuro fim. Tudo isso dito, a verdade é que o anime é bem menos sério e, adicionaria, “pesado”, do que essa descrição faz parecer.

Isso fica bem claro quando olhamos o tom, permeado de um exagero dramático em boa parte característico do estilo. Metáforas visuais cuidam de fazer a situação desesperadora de Kaiji soar ainda pior. Expressões faciais são exageradas ao extremo, embora nunca pareçam fora de lugar justamente por conta do traço tão característico da obra. O narrador é o exagero dramático encarnado em voz, vale apontar. Tudo isso de cara denuncia qual o real propósito de Gyakkyou Burai Kaiji: entreter e divertir. É uma série capaz de tornar um lançar de dados a coisa mais épica que você verá naquele dia.

Kaiji, mesmo traído inúmeras vezes, nunca realmente perde a fé nas pessoas, nem se dobra às piores ações apenas para atingir seus objetivos, o que faz dele um personagem de respeito, mesmo com todos os seus defeitos. E, no final, ainda irá encontrar uma ou duas pessoas que realmente possa chamar de amigos, o que passa uma moral final bastante positiva.

Nem tudo que subverte alguns clichês tem a intenção de ser excessivamente sério e pesado, e Gyakkyou Burai Kaiji certamente se encaixa nisso. Acima de tudo, essa é uma obra para relaxar e se divertir, e divertimento certamente entrega.

Considerações finais

Gyakkyou Burai Kaiji é um ótimo anime para passar o tempo. É emocionante, dramático, divertido, e te faz sempre querer ver ao próximo episódio o quanto antes. Kaiji é um bom protagonista e personagem, sendo falho o bastante para parecer humano, mas com um outro lado mais inocente e bondoso que faz o público se importar e torcer por ele, apesar de todos os seus erros. E enquanto não muito pode ser dito sobre os secundários, a maioria dos quais aparecendo apenas para o seu arco e então desaparecendo, apenas o Kaiji já é o suficiente para carregar o anime.

No campo técnico, temos uma boa animação e uma trilha sonora que sabe dar o tom do momento, sendo que ambos contribuem muito bem para o exagero e a tensão geral do anime, com a animação ainda mostrando que a boa reputação da Madhouse certamente pode ser traçada até um bom tempo atrás.

Quem ainda não viu, experimente dar uma chance. É um bom anime.

  • antonio carlos

    fiquei todo feliz quando vi a foto na home achando q ia ter nova temporada

  • Tem dublado?

    • Bruno Geber

      Nunca achei, mas na Crunchyroll tem ele completo legendado.

    • Pablo Soares

      Não, mas até achei que fosse sobre isso a matéria :p

  • Brand

    EU FUI NA SECA ACHANDO QUE IA TER NOVA TEMP D:

  • Pablo Soares

    Há um outro anime de jogos do mesmo autor, o nome é akagi e tem a série Live action também no CR…

  • Rodrigo Monterier

    Zawa…Zawa…Zawaaa….

  • Rodrigo Monterier

    Tem de animar a ultima parte do manga e_e

  • Alexandre Skywalker

    Kaiji é uns dos melhores animes que já assisti embora o traço seja uma bosta.

    • Rodrigo Monterier

      Nah o traço é maneiro, deixa os momentos mais macabros

      • Alexandre Skywalker

        realmente concordo mas mesmo assim me sentia incomodado mesmo

  • Koiy

    Kaiji é uma obra prima, você fica viciado igual o Kaiji. Terminei o anime dentro de 3 dias.