Divulgação. © Marvel / Sony Pictures

Este texto não contém spoilers.

Grandes personagens são aqueles que sobrevivem nas mídias mesmo com o passar dos anos, isso é nítido. E após duas adaptações do Homem-Aranha, a Sony Pictures, agora numa acordo com a Marvel Studios, resolveu resgatar novamente o personagem. Tom Holland acabou recebendo a missão de dar uma nova roupagem ao herói, entregando uma versão mais jovial, ingênua e astuta ao personagem.

Sua introdução em Capitão América: Guerra Civil foi bastante convincente, sua empolgação ao ser recrutado por Tony Stark faria qualquer adolescente da mesma idade pirar. O início de Homem Aranha: De Volta ao Lar mostrou muito bem essa empolgação que Holland carrega, e é um diferencial absurdo das demais versões. O tom que a Marvel Studios resolveu impor a este longa, com certeza é o conceito de que menos é mais; já vimos o bilionário, o deus de Asgard, o super soldado e agora estamos vendo um adolescente do subúrbio sendo o herói da vez.

Divulgação. © Marvel / Sony Pictures

O Herói Outsider

O diretor Jon Watts reproduz em seu filme toda a vida cotidiana de Peter no Queens, passando a maior parte do tempo na espera para ser convidado aos Vingadores, frequentando a escola, apaixonado sua colega Liz Allen (Laura Harrier), aturando as provocações de Flash Thompson, interpretado pelo excelente Tony Revolori, e fazendo pequenos atos heroicos ajudando velhinhas, salvando cachorrinhos ou impedindo pequenos furtos.

Aliás, o maior acerto do longa também é graças ao elenco de apoio repleto de estudantes, Zendaya como Michelle assume o papel de uma garota que, diferente do arquétipo encontrado nesse gênero, que se preocupa em ir à escola toda manhã repleta de maquiagem no rosto, não dá a mínima e prefere se concentrar nos livros, e por mais que apareça pouco, nos mostra que pode ser de grande importância no futuro. Ned (Jacob Batalon) é um ótimo coadjuvante, se já estávamos de saco cheio de Harry Osborn, ele carrega um ótimo timing cômico e novamente, torna-se um diferencial para o elenco.

Divulgação. © Marvel / Sony Pictures

O clima escolar inspirado por filmes de John Hughes como Clube dos Cinco, Curtindo a vida Adoidado e até De Volta para o Futuro (a cena no beco com o uniforme é claramente uma referência), é um toque especial na receita. A escolha do diretor por um elenco diversificado foi incrível, porque não só, de fato, mostra como o Queens é na vida real, sendo um cenário de encontro multicultural, mas abrange o mundo inteiro, já que qualquer escola é repleta de alunos de diferentes etnias.

Na trama, Peter descobre um grupo de bandidos que conseguiu obter destroços da primeira batalha dos Vingadores em Nova York e que estão utilizando a tecnologia para roubos, não restando outra solução, ele enxerga sua oportunidade de provar o seu valor à Tony Stark. Sendo ignorado, resolve agir por conta própria para interceptar a quadrilha de Toomes, porém em todas as tentativas o herói mais faz estragado do que ajuda, e isso faz com que Stark tome medidas drásticas arrancando o uniforme e desistindo de integrá-lo a vida heroica, já que ele se sentiria culpado caso algo acontecesse ao garoto.

Divulgação. © Marvel / Sony Pictures

Se o herói da vez é um jovem de classe média, o vilão continua a ser construído sob mesma modéstia – Adrian Toomes (Michel Keaton) comanda uma companhia de escavação na qual ficou responsável por reparar o estrago feito pela batalha dos Vingadores em NY, mas Toomes e sua equipe acabam sendo demitidos por Tony Stark, porém antes disso ele se apodera dos restos de tecnologia chitauri, criando armas para praticar furtos e agir nas sombras.O maior trunfo de Keaton neste papel não é só retratar um personagem humilde que teve seu tapete puxado por grandes corporações, mas sua interpretação e persuasão ao tentar convencer não só o herói, mas o público de que está fazendo o que faz pelo bem de sua família,e a cena no carro é a síntese da maestria de Michael Keaton neste papel.

Divulgação. © Marvel / Sony Pictures

Spider Tech?

Por mais que nesta terceira versão o herói apareça repleto de gadjets com direito a uniforme com inteligência artificial, este Peter Parker ainda carrega a essência dos quadrinhos. Ele age por conta própria o filme inteiro, mesmo com a tecnologia Stark, Parker dá seu jeito e se vira sozinho e isso com certeza vai tranquilizar todos os fãs que cogitaram ver um homem aranha dependente do Homem de ferro, e não é o que acontece. Tom Holland de fato é o Peter Parker dos quadrinhos.

É preciso reconhecer a grande criatividade no longa de Watts,os vlogs de Peter devem substituir o emprego de fotógrafo, levando em conta os interesses desta nova geração vidrada em YouTubers, e não só isso, mas as peripécias do cabeça de teia num bairro simples e não na grande Nova York, resultando em situações muito engraçadas — vide a dificuldade dele em se balançar em lugares onde não há arranha-céus e a complicação em dominar as funções do novo uniforme, é notável que o herói ainda não sabe o que está fazendo.

Divulgação. © Marvel / Sony Pictures

Com grandes poderes…

Se há alguma moral da história em Homem- Aranha: De volta ao Lar, não é somente o prazer em vê-lo novamente em casa, mas a certeza de que Peter Parker ainda não está preparado para ser o herói que conhecemos, e terá muito para percorrer. E se depender da Marvel Studios, o caminho promete ser longo e empolgante.

Obs: Temos duas cenas pós créditos. A segunda com certeza deveria ser aclamada, pois é a melhor de todo o universo cinematográfico da Marvel.

  • Bruno Tamashiro

    Eu concordo com a crítica e apoio que a segunda cena pós crédito e a melhor do universo marvel, talvez a melhor de todos filmes de heróis!
    Fiquem até o fim e não deixem ninguém perder a cena pós crédito!

  • A cena pós-créditos é a melhor que já existiu. Primeiro que é boa, e segundo de dialoga com os fãs mais assíduos da Marvel.